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Afroturismo reforça ancestralidade e gera renda para população negra

  • Foto do escritor: Adriana Leite
    Adriana Leite
  • 12 de mai.
  • 2 min de leitura

Roteiros no Brasil mostram arte, cultura, história, luta e religiosidade



Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, faz parte do roteiro do afroturismo no país. Foto: Divulgação Prefeitura do Rio
Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, faz parte do roteiro do afroturismo no país. Foto: Divulgação Prefeitura do Rio

O afroturismo ganha força no Brasil com roteiros e projetos que ressaltam a nossa raiz negra. O movimento de investir na história e na herança africana no país gera renda e promove a educação antirracista. Estudo do Ministério do Turismo destaca que 67,2% dos empreendedores decidiram apostar no negócio pela oportunidade de valorização da identidade e da cultura afro-brasileira. Outros 12,1% investiram no afroturismo para geração de renda.


O perfil do empreendedor é variado. O estudo aponta que 23,3% são guias de turismo; 20,7% são povos de terreiro e comunidades tradicionais; 13,5% outros; 11,2% agências de viagem; 7,8% operadoras de turismo; 7,8% casas de evento/museu; 2,6% restaurantes afro; e 1,7% hospedagem para pessoas negras.


Majoritariamente, o foco das empresas está centrado em turismo de base comunitária (32,8%) e turismo histórico (25,9%).  A maioria dos empreendedores é mulher. De acordo com o estudo, 66,4% são mulheres; 32,8% são homens e outro 0,9% não binário.


O crescimento do afroturismo acelerou nos últimos três anos: 41,3% dos negócios foram criados nesse período. Segundo o Ministério do Turismo, 41,4% dos empreendedores têm ensino superior e outros 36,2% possuem pós-graduação.


 

RESGATE HISTÓRICO


O Brasil foi um dos principais destinos de escravizados africanos no mundo. Centenas de locais no país foram marcados pela luta dos negros que perderam a liberdade com a violência dos escravocratas. Hoje, esses lugares fazem parte das rotas de afroturismo.


Um dos mais conhecidos é o Cais do Valongo, cujo sítio arqueológico no Rio de Janeiro, foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2017. O cais era um dos principais pontos de chegada no Brasil dos escravizados que vinham da África. O cais faz parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Herança Africana que inclui ainda a Pedra do Sal, o Cemitério dos Pretos Novos e o Largo de São Francisco da Prainha.


Outros locais que são referência são as áreas de quilombos em várias partes do país. Um dos principais territórios quilombolas – símbolo da liberdade e resistência contra a brutal escravidão – é a Serra da Barriga, no estado de Alagoas, onde ficava o Quilombo dos Palmares. A área do quilombo é reconhecida como Patrimônio Cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).


 

MINHAS RAÍZES


A publicitária Marina Lima Silva sempre quis resgatar a história da sua família, cuja árvore genealógica tem parentes escravizados da África. Há cinco anos, ela decidiu mapear lugares que resgatassem a história dos africanos no Brasil.


“Fui em locais como o Cais do Valongo e em Palmares. Também visitei quilombos, pontos históricos na Bahia e em São Luís, no Maranhão. Em cada lugar, fiquei sabendo mais da história dos meus antepassados e vejo quanto esse país deve para os escravizados e seus descendentes. Descubro tanto sobre a culinária, os costumes e a cultura do meu povo”, afirma.

Ela tem um grupo de amigos que prioriza viagens que também tenham como foco valorizar a cultura, a história e as raízes do povo negro no Brasil e em destinos internacionais. “Quero ir para a África e conhecer os locais de onde meus antepassados foram tirados à força”, revela.


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