Copom reduz Selic para 14% ao ano em meio a endividamento recorde dos brasileiros

Busca por crédito cresce neste ano, com famílias de baixa renda liderando a demanda por recursos no acumulado de 12 meses

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa de juros básica da economia brasileira, Taxa Selic, de 14,25% para 14% ao ano. A baixa ainda é considerada muito tímida por especialistas e é pouco para trazer algum alívio para quem está endividado e sofrendo com os juros que transformam contas em atraso em montanhas de dívidas.
De acordo com a justificativa do Copom, o corte nos juros básicos “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período”. Na nota técnica, o Comitê informa que “sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego".
Mesmo com o recuo, o Brasil ainda continua com um dos líderes do ranking dos países com juros reais mais elevados do mundo – 2ª colocação com 9,33%. A primeira colocada agora é a Rússia com 9,67%, segundo levantamento da MoneYou em parceria com a Lev Intelligence.
O corte na Selic sempre demora para chegar até o consumidor, por isso, quem está no vermelho precisa tentar negociações com credores para segurar a bola de neve dos juros que incidem sobre as dívidas.
Pesquisa da Serasa aponta que a busca por crédito aumentou 16,5% no acumulado de 12 meses até junho deste ano no Brasil, conforme o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito. Os consumidores com renda de um a dois salários mínimos (de R$ 1.621,00 a R$ 3.242,00) lideram a demanda por crédito no acumulado do período. O crescimento foi de 35,2%.
Em nota a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que a composição da demanda reforça que o mercado de crédito continua refletindo um ambiente macroeconômico desafiador.
“O avanço mais intenso da demanda por crédito entre os consumidores de menor renda mostra que, nesse segmento, a necessidade de acesso ao crédito continua prevalecendo mesmo em um ambiente de custo elevado. Isso reforça que, para muitas famílias, o crédito está menos associado ao consumo discricionário e mais à administração do orçamento doméstico e à manutenção das despesas essenciais", afirma a executiva.
Para quem está com “nome sujo na praça”, o corte da Selic ainda é uma medida muito distante para aliviar o peso das dívidas. “Sou uma pessoa muito regrada com dinheiro. Ganho pouco e gasto só com o básico. Mas meu marido ficou doente. Não teve jeito. Gastei o que eu não tinha para comprar remédio e até fazer exame particular porque ia demorar muito no posto de saúde. Estou toda enrolada com contas e empréstimos”, lamenta a faxineira, Maria Aparecida Silva.
Os números mais recentes do endividamento dos brasileiros apontam para mais um recorde histórico em julho com 82% dos consumidores consultados pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicando que tinham dívidas a vencer.


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