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Atendimento de saúde mental para casos de jogo patológico cresce 140% no SUS

Foto do escritor: Adriana Leite
Adriana Leite
há 24 horas
2 min de leitura

Debate na Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostra que o vício em jogos online afeta o dia a dia das empresas



Famílias e empresas estão preocupadas com aspectos sociais, financeiros e jurídicos da epidemia do jogo online
Famílias e empresas estão preocupadas com aspectos sociais, financeiros e jurídicos da epidemia do jogo online

A epidemia do vício em jogos online afeta o cotidiano das famílias e o mundo do trabalho. Em evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), especialistas apontaram que cresceu 140% o atendimento em saúde mental de pacientes com transtornos relacionados aos jogos no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo informações do Ministério da Saúde.


Os afastamentos do trabalho motivados pelo vício em apostas subiram de um caso em 2023 para 62 casos em junho deste ano, segundo dados apresentados no evento pelos especialistas. A base das informações foi o Ministério da Previdência Social.  


As famílias sofrem com relações pessoais abaladas e os problemas financeiros que impactam as vidas das pessoas. Para as empresas, além do afastamento do trabalhador, há ações jurídicas que devem ser observadas.


Durante a reunião do Conselho Estratégico Trabalhista (CONET) da ACSP, a advogada trabalhista, Carla Romar, afirmou que o debate jurídico passa por analisar quando a aposta pertence à vida privada e o momento que ela repercute sobre a vida laboral da pessoa.


"A esfera privada é quando a aposta é fora do trabalho e sem qualquer repercussão contratual. A questão vira trabalhista quando começamos a ter falta funcional, geração de riscos para terceiros, doença ou ruptura da confiança", analisou a advogada e professora universitária.

O juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, Diego Petacci, comentou que o transtorno do jogo patológico se diferencia de outros vícios pela ausência de sinais visíveis que alertem sobre a condição do trabalhador.  


"É mais sutil, porque eu posso estar falando com você hoje, segurando meu celular, e você nem vai perceber que estou jogando", disse. Durante a reunião, o juiz traçou um paralelo com a jurisprudência acerca da embriaguez habitual, que é prevista como falta grave na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Petacci afirmou que “o desafio do Direito do Trabalho é proteger o trabalhador doente sem perder a noção dos limites rigorosos da sua responsabilização”.


A psicóloga e presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), Beth Guedes, lembrou do impacto sobre o orçamento das famílias com o vício em jogos. “A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda registrou depósitos de R$ 220,6 bilhões nas bets em 2025, receita bruta de R$ 37 bilhões e a participação de 25,2 milhões de apostadores no país”, apontou.


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