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Contrate uma mãe

  • Foto do escritor: Juliana Facchin
    Juliana Facchin
  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

Existe um medo silencioso que nasce junto com a maternidade: o medo de desaparecer profissionalmente



Juliana e os filhos Samuel e Mariana: "carreira não é uma linha reta; é um conjunto de fases"
Juliana e os filhos Samuel e Mariana: "carreira não é uma linha reta; é um conjunto de fases"


Existe um medo silencioso que nasce junto com a maternidade: o medo de desaparecer profissionalmente.


De que o mercado siga em frente, em uma velocidade frenética, sem espaços para esperar, enquanto você aprende a equilibrar colo, rotina e culpa.


Eu já passei por isso. Não uma, mas duas vezes. E posso afirmar que esse relato é real.


Mas foi no meio de uma conversa sobre contratação, outro dia, que ouvi algo que me fez refletir sob outra ótica e que, mesmo já tendo vivido isso, nunca fez tanto sentido:


CONTRATE UMA MÃE.

Eu ri. Depois parei. Havia muita razão naquela frase.


Depois que virei mãe, virei uma profissional diferente. Não necessariamente mais técnica. Mas mais consciente. Mais objetiva. Mais estratégica com o meu tempo. Mais humana nas minhas decisões.


A maternidade interrompe, sim. Muda rotas, prioridades, horários, energia. Às vezes, desacelera. Às vezes, bagunça o plano que parecia tão claro.


Mas interromper não é acabar.


Muitas mulheres carregam a sensação de que, ao se tornarem mães, algo na trajetória profissional fica suspenso. Como se o mercado avançasse enquanto elas reorganizam o próprio mundo. Como se a ambição de crescer e o cuidado não pudessem coexistir.


Eu mesma já senti isso.


Só que o que quase ninguém diz é que a maternidade não encerra uma trajetória, ela abre novas vertentes. Desenvolve habilidades que não se aprendem em cursos: priorização real, gestão de crise, negociação sob pressão, inteligência emocional, entre muitas outras habilidades comportamentais.


Quando você sabe que existe alguém esperando por você às 18h, o dia muda de peso. Você aprende a diferenciar urgência de importância. Aprende a fazer caber no tempo. 


Ser mãe não torna ninguém automaticamente melhor profissional. Mas transforma. Amplia. Aprofunda.


Talvez o ponto não seja apenas “contrate uma mãe”.


Talvez seja reconhecer as experiências que moldam as pessoas.


Porque carreira não é uma linha reta. É um conjunto de fases. Algumas mais aceleradas, outras mais internas. Algumas visíveis no LinkedIn. Outras invisíveis, mas profundamente estruturantes.


Às mulheres que temem que a maternidade seja o fim da trajetória profissional, eu diria: não é fim. É transformação. É ajuste de rota. É construção de novas prioridades que podem, inclusive, te tornar uma líder melhor.


A carreira pode até pausar. Mas ela não desaparece.


E há muito caminho depois da maternidade, quiçá até mais consciente do que antes.


Talvez, neste mês das mulheres, em um cenário que ainda nem sempre nos favorece, a reflexão não seja apenas sobre espaço no mercado. Mas sobre reconhecer que nossas experiências (todas elas) são parte da construção da nossa força.


Porque experiência não é o que está no cargo. É o que a gente constrói enquanto vive.


Experiência é tudo. O resto é tentativa.


Juliana Facchin escreve sobre carreira, experiências e vida real. É Jornalista de formação, executiva, palestrante, mãe de dois, corredora, curiosa por essência e eterna aprendiz em movimento. Saiba mais sobre os colunistas na página Sobre



As opiniões aqui expostas refletem a visão do autor da coluna e não, necessariamente, do blog. Este é um espaço plural para o debate amplo de ideias.


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