Para quê degrau, se eu gosto mesmo é de escalar?
- Juliana Facchin

- há 8 horas
- 3 min de leitura
Na Coluna Experiência É Tudo, Juliana Facchin reflete sobre a caminhada na carreira profissional e satisfação pessoal

Desde muito pequena, sempre me perguntaram o que eu queria ser quando crescer. Qual profissão seguir, qual caminho escolher, onde eu esperava chegar.
Confesso que, já na casa dos “enta”, ainda não tenho uma resposta curta e certeira. Eu gosto mesmo é de aprender. De me mover. De experimentar o que aparece no caminho enquanto ele acontece.
Já comecei esportes, instrumentos musicais, fiz teatro e outras ideias que pareciam definitivas, mas nenhuma delas virou profissão. E tudo bem. Porque o que sempre me moveu não foi o resultado no final, mas aquilo que eu aprendia durante a jornada. As experiências que ficavam.
Pode-se dizer que caí de paraquedas no jornalismo. E foi amor no primeiro salto. Contar histórias, observar pessoas, ouvir com atenção, tentar entender o mundo pelo olhar do outro. Talvez tenha sido ali que comecei, sem perceber, a construir o caminho que me levaria anos depois para a experiência do cliente.
Mas não, não foi linear. Não foi degrau por degrau.
Eu nunca gostei muito da ideia de escada. Talvez eu prefira mesmo escalar.
Enfim, deixei em standby meu trabalho como repórter e fui me aventurar nas “seguranças” que o mundo corporativo pode proporcionar para sua carreira. Arrisquei para ficar longe dos riscos e lá fui aprender gestão, fazer liderança, ouvir pessoas e mapear processos.
Fui descobrir que sucesso nem sempre parece sucesso quando está acontecendo e que crescer, muitas vezes, é só continuar tentando enquanto tudo ainda parece meio improvisado.
Nem sempre foi planejado. E nem fácil também.
Seguro? Nada disso! Mas cada curva trouxe repertório. Cada tentativa construiu algo e cada parede nova me ajudou a escalar mais alto.
Existe uma pressão silenciosa para que a carreira faça sentido o tempo todo. Para que cada escolha pareça estratégica, cada passo pareça certo e cada fase seja uma evolução clara. Só que a vida real não funciona assim. Às vezes a gente muda de rota. Às vezes aprende algo que só vai fazer sentido anos depois.
Talvez o erro nunca tenha sido mudar de direção. Talvez o erro tenha sido acreditar que só existe um jeito certo de crescer.
Hoje, olhando para a minha trajetória, entendo que nunca deixei de ser jornalista. Eu só ampliei o palco onde as histórias acontecem. Continuo ouvindo pessoas, observando comportamentos e tentando transformar experiências em aprendizado.
Se a sua carreira também parece mais uma escalada do que uma escada, talvez esteja tudo certo. Algumas pessoas gostam de seguir degraus previsíveis. Outras precisam de desafios novos para continuar em movimento. Nem melhor, nem pior, só diferente.
No fim das contas, sucesso não é uma linha reta. É uma coleção de experiências, algumas incríveis, outras nem tanto, mas todas necessárias para construir quem a gente está se tornando.
Porque crescer não é apenas subir. É continuar andando, mesmo quando o caminho muda.
Talvez seja isso que você vai encontrar por aqui: histórias sobre carreira, escolhas, experiências e aprendizados – sem fórmulas prontas, só vivência real.
Experiência é tudo. O resto é tentativa.
Juliana Facchin escreve sobre carreira, experiências e vida real. Ela Jornalista de formação, executiva, palestrante, mãe de dois, corredora, curiosa por essência e eterna aprendiz em movimento. Saiba mais sobre os colunistas na página Sobre
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