Água em lata: você já se rendeu à essa tendência?
- Lalá Ruiz

- 8 de mai.
- 3 min de leitura
Produto é uma das principais apostas do setor de bebidas vendidas em lata, especialmente entre as opções sem álcool

Confesso que até pouquíssimo tempo atrás ignorava completamente a existência de água mineral enlatada. Na minha santa ignorância, acreditava que algumas das latas por vezes chamativas dispostas nas prateleiras de supermercados eram apenas marcas de energéticos ou algo do tipo.
Pois trata-se de um segmento que só cresce no país, e isso desde a chegada da primeira água em lata ao mercado nacional, em 2020. No caso, a opção enlatada da água AMA, da Ambev, uma marca com venda revertida para o projeto social de mesmo nome e que é gerido pela empresa.
De acordo com a Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas), a água converteu-se em uma das principais apostas do setor de bebidas enlatadas, com alta de 24% em 2025 em relação a 2024. E esse crescimento está ligado diretamente a outro fenômeno: a diminuição no consumo de bebidas alcoólicas.
Pesquisa encomendada no final de 2025 pela Ball Corporation, líder mundial em embalagens sustentáveis de alumínio, mostrou que 25% dos consumidores brasileiros diversificaram suas escolhas de bebidas, sendo que 24% passaram a consumir mais opções não alcoólicas.
Esse dado, inclusive, corrobora pesquisas feitas por outros setores, como o do vinho, sobre tendências no consumo de bebidas. Tanto que vinícolas de expressão, como Aurora e Salton, têm investido com sucesso em rótulos sem álcool, com destaque para os espumantes. E até mesmo tradicionais produtores franceses de vinho já se renderam a esse mercado.

Mas, de volta à água em lata, são várias as marcas disponíveis no mercado atualmente, algumas claramente de olho no público jovem para consumo em baladas, festas e academia. Uma delas é a Mamba Water, que tem entre seus proprietários o surfista Pedro Scooby.
Lançada em 2022, foi a primeira marca brasileira a adotar exclusivamente a lata de alumínio para envasamento de água. Até então, eram encontradas nesse formato a tradicional Minalba e a supracitada AMA, da Ambev – em 2023 foi a vez da versão da Lindoya e, em 2024, da Acquíssima e, assim, seguiu o fio.
Uma curiosidade sobre a Mamba: além das opções natural e com gás, a empresa oferece três versões saborizadas da sua Mamba Water Protein, descrita como um “suplemento alimentar líquido com 20g de proteína do colágeno + BCAA (Aminoácidos de Cadeia Ramificada) em uma água leve, sem açúcar, sem carboidrato e sem glúten”. Ou seja, o foco é no público fitness.
Outra marca de água em lata que mira no público jovem é a Dane-se. Apresentada como uma opção com “baixo teor de sódio, PH equilibrado e fonte natural”, é vendida nas versões com e sem gás e traz como diferencial a embalagem, estampada com um rosto raivoso – na época do lançamento, era um roqueiro punk. A empresa também atua no setor de energéticos.
Agora, me conta: você já se rendeu à água em lata ou ainda prefere a tradicional garrafinha?
🔢AFOGADA EM NÚMEROS
Para finalizar, alguns números:
1) Segundo a Abralatas, o setor contabilizou 34,1 bilhões de latas vendidas em 2025. Embora refrigerantes e cervejas ainda liderem o mercado, eles vêm perdendo espaço nos últimos anos para outras categorias, como drinques prontos, vinho, cachaça, sucos, chás, energéticos e, claro, a água.
2) Confira abaixo o ranking de preferência do consumidor brasileiro em relação às bebidas “álcool free”, conforme apontou a pesquisa da Ball:
🫗Água (77%)
🥤Refrigerantes (75%)
🧃Sucos (74%)
☕Café (71%)
🍵Chá (49%)
🍷Energéticos (49%)
Lalá Ruiz é jornalista especializada em Cultura e Gastronomia
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