Guerra entre EUA e Irã pode atingir o pistache
- Lalá Ruiz

- há 1 dia
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Todo o pistache consumido no Brasil é importado, vindo, principalmente, dos dois países em conflito

Vocês já repararam que o pistache “invadiu” a gastronomia brasileira nos últimos anos, especialmente quando o assunto é sobremesa? É sorvete, brigadeiro, bolo, panetone, bombom... Inclusive, já vi pizza com creme de pistache. Dá até para dizer que essa iguaria é o Catupiry dos anos 2020.
Sou do tempo em que essa semente – sim, é uma semente oleaginosa, não uma castanha ou fruta – era servida ou salgadinha, como um petisco sofisticado e caro para acompanhar um chope gelado, ou como ingrediente dos famosos doces da culinária árabe, entre eles o popular folhado baklava.
Preferências e brincadeiras à parte, o aumento do consumo de pistache no Brasil nos últimos anos é fato inquestionável. Entre 2022 e 2024, por exemplo, a importação do produto triplicou no país, passando de 350 toneladas compradas em 2022 para mil toneladas em 2024.
Aqui, vale uma explicação: o Brasil ainda não produz pistache, o que significa que a totalidade do produto consumido por aqui vem de fora, principalmente dos Estados Unidos e Irã, segundo informações do Comex Stat, portal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Portanto, como se pode imaginar, não será apenas o setor petrolífero a sentir os efeitos da atual guerra entre EUA e Irã. O comércio do pistache também. Um primeiro sinal foi dado: o Irã já proibiu as exportações de produtos alimentícios para evitar o desabastecimento local.
NÚMEROS ATUALIZADOS

Em 2025, para se ter uma ideia, o Brasil comprou 865 toneladas de pistache dos EUA e 422,6 toneladas do Irã. Porém, nos primeiros meses deste ano, segundo o Comex Stat, o comércio com o país do Oriente Médio foi superior – foram importadas 49 toneladas do produto iraniano e 35,5 toneladas do estadunidense.
Assim, pode-se concluir que, quanto mais tempo durar o conflito, mais o abastecimento de pistache, especialmente o vindo do Irã, será afetado. E ele não estará sozinho nessa eventual crise – o comércio Brasil-Irã também compreende outros produtos agrícolas como uvas-passas, nozes e tâmaras.
O PISTACHE BRASILEIRO

Como dito acima, o Brasil ainda não produz pistache, mas, quer chegar lá. Em 2022, a Federação de Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) buscou apoio da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com o objetivo de transformar o estado no primeiro produtor nacional da oleaginosa.
A ideia inicial era trazer material genético da Califórnia, estado que concentra a produção norte-americana, e adaptá-lo ao clima da Serra da Ibiapaba, região na divisa do Ceará com o Piauí. Porém, é um projeto ainda em fase embrionária, com uma série processos técnicos, burocráticos e sanitários a serem cumpridos.
CREME DE PISTACHE
Mas, enquanto a situação não muda, que tal fazer o seu próprio creme de pistache? Confira essa dica do site Receita Maneira (www.receitamaneira.com.br), que recomenda usar o creme para rechear bolos, tortas, pavês, bombons, trufas e doces; para cobrir cheesecakes; e até mesmo para passar no pão.

DE ONDE VEM
O pistache vem da Pistacia vera, uma planta originária de áreas montanhosas da Síria, Turquia, Irã e Afeganistão. Os primeiros registros de uso pela humanidade datam de século 6 a.C., porém, há narrativas de sua presença nos Jardins Suspensos da Babilônia e na corte da Rainha de Sabá, que teria decretado o pistache como um alimento exclusivo da realeza.
Lalá Ruiz é jornalista especializada em Cultura e Gastronomia
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