Fim das bets injeta R$ 8,5 bilhões no Natal

Estimativa do economista do IPEES, José Augusto Ruas, mostra que proibição impulsiona a economia e reduz a inadimplência

O fim das apostas online foi uma medida que repercutiu durante a campanha presidencial deste ano, que levou à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Logo no primeiro mês da proibição, a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) divulgou um aumento de 6,5% nas vendas nos supermercados. E o cenário é ainda mais positivo para o Natal: R$ 8,5 bilhões serão injetados no comércio e serviços com o fim das bets no Brasil.
A projeção é do economista José Augusto Ruas, do Instituto de Pesquisa e Estudos Econômicos e Sociais (IPEES), com base nos dados divulgados por instituições como e Federação Nacional do Comércio (Fecomércio) de quanto as bets tiravam do consumo no país.
E se a gente pegar como base os R$ 5 bilhões que voltaram para a economia em outubro, após a proibição das apostas online, e fazer algumas estimativas deve pelo menos R$ 8,5 bilhões a mais no Natal deste ano. Esse valor é em torno de 3 pontos ou até 3,3 pontos percentuais a mais de gastos do que teríamos se as bets estivessem em operação no Brasil", projeta o economista.
Ele aponta que, em termos de crescimento real, os mais de R$ 8 bilhões vão significar mais de 5% de crescimento real se comparado com a movimentação de comércio e serviços no fim do ano passado. "O Natal do comércio pode ser um dos melhores natais dos últimos anos sem as bets", afirma Ruas.
Nesta terça-feira (3 de novembro), o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza audiência pública, a partir das 10h, para debater o fim das bets que foi instituído por meio da Medida Provisória (MP) nº 1.394.2026, do governo Lula. O ministro Luiz Fux é o relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) 8027 impetrada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (Anjl) e convocou o debate.
Movimentos sociais e entidades empresariais se mobilizam para barrar uma possível tentativa de retorno das apostas online no Brasil. Inicialmente, Fux só havia convidado clubes de futebol, donas das bets, canais de mídia e setor empresarial para discutir a Adin e a MP. Após pressão da sociedade e pedido da Advocacia Geral de União (AGU), o ministro chamou os ministérios da Saúde, Justiça e a Abras.
O descontrole com as apostas online é apontado como um fator determinante para a explosão da inadimplência no Brasil. O transtorno mental causado pelo vício em bets vem sobrecarregando o sistema público de saúde e provocando conflitos familiares.


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