Preço médio do litro do diesel sobe quase 10% em Campinas em 20 dias
- Adriana Leite

- 20 de mar.
- 3 min de leitura
Desde o começo da Guerra no Irã, o preço da gasolina na cidade aumentou 6,22%, segundo levantamento da ANP

Os motoristas que abastecem nos postos de Campinas sentem o peso da Guerra no Irã no bolso. Pesquisa semanal de preços da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que nos últimos 20 dias, desde o começo do conflito, o preço médio do litro do óleo diesel subiu quase 10%.
O custo do combustível passou de R$ 6,48 (período de 22 a 28 de fevereiro) para R$ 7,11 (15 a 21 de março), conforme o levantamento da agência. No Brasil, o preço disparou mais de 20%. Na comparação entre os dois períodos, o valor do litro saltou de R$ 6,03 para R$ 7,26.
A forte alta do diesel impacta a economia e vai refletir na inflação, que vinha seguindo dentro do centro da meta. Após o início da guerra promovida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, a Petrobras realizou apenas um aumento no valor do produto na refinaria – R$ 0,38 a partir de 14 de março (R$ 3,65 por litro).
Em Campinas, a gasolina apresentou uma alta de 6,22%, depois que as batalhas no Oriente Médio tiveram início no final de fevereiro. O preço médio do litro subiu de R$ 6,27 para R$ 6,66. O custo do etanol ficou praticamente estável, com uma variação de R$ 4,52 para R$ 4,58.
O mercado espera por novas altas de preços nas refinarias com a guerra se prolongando e a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz por onde passam 20% da produção mundial de petróleo. Nos últimos dias, o preço do barril brent chegou a bater quase US$ 120. Os valores aplicados no Brasil pela Petrobras já estavam defasados em relação ao mercado internacional, mesmo antes da crise no Oriente Médio.
Para os motoristas, só resta pesquisar ainda mais para encontrar o preço que caiba no bolso. A variação do valor do diesel em Campinas foi de R$ 6,19 por litro no posto mais barato a R$ 7,69 por litro no estabelecimento mais caro.
Na gasolina, a pesquisa traz o menor preço do litro em R$ 6,29 e o mais elevado em R$ 6,89. A diferença de R$ 0,60 reflete nos gastos com combustíveis quando colocada na ponta do lápis ou na tabela mensal do orçamento doméstico.
O governo atua para conter a escalada do preço do diesel com medidas como zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o custo do produto e a solicitação para que governos estaduais zerem o ICMS – que foi negada pelos governadores. Também há uma ofensiva para combater abusos de preços nas bombas com a fiscalização da ANP e do Procon.
De acordo com a Agência Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em evento no estado de Minas Gerais, que o Brasil precisa criar uma reserva estratégica de combustíveis, para regular preços e garantir abastecimento em caso de instabilidade internacional.
“Eu falei para a Magda [Chambriard, presidente da Petrobras]: isso não é uma coisa rápida, é uma coisa que leva tempo, mas é uma coisa estratégica que a Petrobras e o governo têm que pensar”, disse o presidente.




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