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Você não precisa estar pronta para começar

  • Foto do escritor: Juliana Facchin
    Juliana Facchin
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Especialmente para mulheres, existe uma tendência de esperar o momento ideal



"Existe uma armadilha silenciosa na vida profissional: esperar estar pronta", reflete a colunista Juliana Facchin
"Existe uma armadilha silenciosa na vida profissional: esperar estar pronta", reflete a colunista Juliana Facchin

A vida sempre nos preparou primeiro para “saber fazer” e só depois “começar”. É como na época da escola: a gente aprende a estudar antes de fazer a prova.


Mas ninguém ensina que, na carreira, a prova vem antes da sensação de preparo.


Existe uma armadilha silenciosa na vida profissional: esperar estar pronta. Pronta para assumir a liderança. Pronta para mudar de área. Pronta para se expor. Pronta para começar algo novo.


Eu já esperei muitas vezes.


Esperei me sentir mais segura antes de sair do jornalismo impresso. Esperei me sentir mais preparada antes de assumir a gestão de pessoas. Esperei dominar todos os detalhes antes de aceitar desafios maiores. Talvez seja o meu ascendente em Libra tentando ponderar todos os cenários, enquanto o ego leonino lá dentro só queria mesmo era brilhar.


E, quase sempre, a sensação de preparo nunca vinha. É óbvio.


O que vinha era o desafio. A responsabilidade. A oportunidade.


A verdade é que o crescimento raramente acontece depois da confiança. Ele acontece antes. A confiança costuma ser consequência e não condição.


A gente acredita que precisa acumular experiência para começar. Mas, muitas vezes, é o começo que constrói a experiência.


É desconfortável. Dá medo. Dá vontade de adiar (às vezes até de chorar). 


Especialmente para mulheres, existe uma tendência de esperar o momento ideal. A formação ideal. O currículo ideal. A validação ideal. Enquanto isso, outras pessoas aprendem fazendo.


Muitas vezes, essa espera tem nome: síndrome da impostora. A sensação constante de que ainda não somos boas o suficiente, preparadas o suficiente ou confiantes o suficiente para ocupar determinados espaços.


A pesquisadora e escritora Brené Brown fala sobre a coragem de se expor mesmo sem garantias e sobre aceitar a imperfeição como parte do processo de crescimento. Talvez seja exatamente isso que a carreira nos exige: menos perfeição e mais movimento.


Mas também é importante dizer: nem toda espera é insegurança.


Às vezes, é só consciência do próprio momento. Nem sempre precisamos nos sentir pressionadas a dar o próximo passo no tempo dos outros. Cada um(a) sabe do seu “corre”, das suas prioridades e do que faz sentido agora.


Respeitar esse ritmo também é uma forma de coragem. Não é sair aceitando qualquer desafio sem pensar. Mas também não dá para esperar o momento perfeito que quase nunca chega.


Na maternidade, ninguém se sente pronta. Na liderança, também não. Na escrita, muito menos. A gente aprende vivendo. Ajustando. Errando. Melhorando em movimento.


Se eu tivesse esperado me sentir completamente preparada, talvez ainda estivesse parada no primeiro degrau - e olha que nem de degraus eu gosto.


Começar antes da certeza não é irresponsabilidade. É coragem. É entender que a experiência não vem antes do passo. Ela nasce dele.


Talvez o próximo desafio que está na sua frente não exija mais preparo. Talvez ele exija movimento. Porque, no fim, a gente não cresce quando se sente pronta. A gente cresce quando decide começar.


Experiência é tudo. O resto é tentativa.

 



Juliana Facchin escreve sobre carreira, experiências e vida real. É Jornalista de formação, executiva, palestrante, mãe de dois, corredora, curiosa por essência e eterna aprendiz em movimento.


Saiba mais sobre o colunista na página Sobre  



As opiniões aqui expostas refletem a visão do autor do artigo e, não necessariamente, do blog. Este é um espaço plural para debate amplo de ideias.


 

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