Antes de encher o carrinho de ovos de Páscoa, faça as contas para não se endividar até o Natal
- Adriana Leite

- 2 de abr.
- 3 min de leitura
Preços estão elevados e a tentação de parcelar a perder de vista é um perigo para o bolso

Eu sou chocólatra desde as minhas várias vidas passadas. Sempre brinco com isso. Amo tanto chocolate que encho uma colher do produto em pó mesmo e como com vontade. Confesso que reduzi muito o consumo desse meu vício depois que tive câncer (ainda não zere porque acredito que todo ser humano merece um regalo para a alma). Mas viro cachorro cobiçando aquele frango girando no espeto nessa época de Páscoa.
Porém, uma voltinha ao supermercado e às lojas especializadas me deixou assustada. Um ovinho de chocolate minúsculo por mais de R$ 30,00. Isso sem brinquedo. Se incluir brinquedo, então...
Pesquisa realizada pelo Procon-Campinas em março prova que meu susto tem motivo. O levantamento – cujos preços foram coletados entre os dias 18 e 19 do mês passado em sete estabelecimentos na cidade – apontou valores que variavam de R$ 15,99 (ovo de 45 gramas sem brinquedos) a R$ 159,90 (ovo de 365 gramas com grife).
Apenas comparando o custo do ovo grifado, o menor preço encontrado foi de R$ 109,90 e o maior os R$ 159,90 – diferença de 45%. Na pesquisa, o valor médio dos ovos girou entre R$ 50,00 e R$ 100,00. Imagine uma família com duas crianças? Ah, lembrando que os ovos preferidos dos pequenos são aqueles com brinquedos e brindes – obviamente, mais caros.
Muitos mercados e lojas especializadas oferecem parcelamento das compras (alguns estipulam valor mínimo). Cheguei a ver dez vezes sem juros – fato, que segundo economistas, não existe porque o dinheiro sempre tem custo e com os juros cobrados no Brasil (cuja escala equivale a estar lá no planeta Netuno, que é o mais distante da Terra no Sistema Solar), é impraticável não ter acréscimo nenhum.
Últimos dados oficiais mostram que as taxas médias de juros no crédito para pessoa física bateram em 33% ao ano em fevereiro. Pior ainda é olhar para o rotativo do cartão de crédito, cuja taxa média chegava em 15% ao mês. Usando bom sendo ao analisar esses números, só se endividaria quem tivesse um motivo de vida ou morte.
Contudo, sabemos que o brasileiro gosta de um carnê para pagar e nem presta atenção naquelas letrinhas e números minúsculos nos anúncios. Por isso, queridos e queridas chocólatras, cuidado com a tentação da Páscoa para não ficar padecer pagando os ovos de chocolate até o Natal.
Vamos pensar em alternativas? Quem sabe fazer o próprio ovo (sou adepta do faça você mesmo). Ou substituir o ovo tradicional por barras de chocolate, caixa de bombom ou uma sobremesa daquelas bem chocolatudas. Não esqueça da boa e velha pechinha na hora de negociar preços.
O importante é apreciar a Páscoa com a família!
Boa Páscoa (sem excessos financeiros, please)!
Tem vídeo no nosso canal no Youtube.
Adriana Leite e Silva é jornalista, especializada em Economia e Mídias Digitais e gestora de Conteúdo do Notas Econômicas
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