Toda proatividade será castigada
- Juliana Facchin

- 12 de mai.
- 3 min de leitura
Fazer tudo ao mesmo tempo, sem estratégia, não é alta performance

Eu sempre fui uma pessoa muito proativa. Daquelas que gosta de ocupar espaço, de expor opiniões e que tem uma ideia nova a cada nova xícara de café.
Sabe aquela pessoa que olha um processo e já visualiza três formas de melhorar? Que se incomoda fácil com o "mais ou menos"? Por muito tempo, eu achei que isso era minha maior vantagem competitiva.
Mas a real é que, em alguns momentos, essa mesma proatividade era o que me deixava sobrecarregada.
Como eu costumo dizer: “toda proatividade será castigada”. Quem me conhece sabe que é quase um bordão, mas se você quer ser proativa, você que lute para executar. E, se não for você, será alguém ao seu lado que vai pagar a conta. Porque proatividade sem filtro gera um efeito dominó: ou você centraliza tudo ou dispara demandas para todos os lados, ao mesmo tempo.
O resultado? Parece que está todo mundo ocupado, produtivo e "fazendo acontecer". Mas, na verdade, estamos apenas criando um inchaço operacional causado pelo excesso de boas intenções. São infinitas ruas de ideias que não desembocam em lugar nenhum.
É aqui que eu quero chegar.
E esse bordão, que é uma adaptação bem-humorada de um clássico do Nelson Rodrigues, deveria ser falado de outra forma: “toda proatividade sem contexto vira atropelo”. Fazer tudo ao mesmo tempo, sem estratégia, não é alta performance. É só ruído.
Eu já tive a fase de querer consertar o mundo antes do almoço. Processos, ferramentas, jornada, comunicação... tudo parecia urgente. Mas nem tudo era prioridade. Nem tudo resolvia o problema certo. E entender essa diferença muda o jogo.
Se a gente não se organiza, ideia sem foco é só distração. Seja no trabalho ou na vida. Imagina planejar um negócio novo e só perceber que não tem capital de giro quando as portas já abriram? Calma!
Não quero ser a "jardineira malvada" que poda sua árvore de criatividade. Pelo contrário: quero ser a jardineira que escolhe onde jogar adubo para que as plantas certas floresçam no momento certo. Sem esse foco, a proatividade vira apenas desgaste.
Isso vale para o time também. Não adianta incentivar todo mundo a ser "super proativo" se não existe uma direção clara. O que parece engajamento vira dispersão.
É como a onda da Inteligência Artificial. Todo mundo quer uma IA para chamar de sua e resolver a eficiência operacional. Funciona? Claro. Mas, primeiro, é preciso organizar a casa. IA sem base firme não ganha o jogo.
De verdade: eu continuo sendo uma pessoa criativa. Isso não mudou. Mas hoje, com o repertório que a maturidade traz, aprendi a fazer uma pausa antes de sair executando. Hoje, eu me pergunto: “Isso resolve qual problema? Isso faz sentido agora? Isso é prioridade ou só mais uma ideia brilhante?”.
Nem toda ideia precisa virar ação de imediato. Às vezes, ela é como aquele tiro de velocidade que você guarda para o sprint final: se usar no quilômetro cinco, você quebra; se usar na hora certa, você ganha a prova. Confia.
No fim das contas, liderar e crescer não é sobre incentivar movimento. É sobre garantir direção.
Vou continuar usando meu bordão sobre o 'castigo' da proatividade, mas agora com a consciência de que o verdadeiro sucesso é não deixar que a nossa vontade de fazer vire fardo para ninguém, nem para nós mesmas.
Experiência é tudo. O resto é tentativa.
Juliana Facchin escreve sobre carreira, experiências e vida real. É Jornalista de formação, executiva, palestrante, mãe de dois, corredora, curiosa por essência e eterna aprendiz em movimento.
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