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Dívidas? Veja aqui como você pode renegociar os seus boletos vencidos

  • Foto do escritor: Adriana Leite
    Adriana Leite
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Órgãos de defesa do consumidor explicam como falar de igual para igual com os credores



Estratégias ajudam o devedor a negociar condições que permitam pagar as contas em atraso
Estratégias ajudam o devedor a negociar condições que permitam pagar as contas em atraso

Em 10 anos, as dívidas dos brasileiros aumentaram 54,9%. No mês de março deste ano, estudo do Serasa Experian mostrou que o calote já batia em R$ 539 bilhões contra os R$ 348 bilhões de 2016. Mais de 81,7 milhões de brasileiros estão endividados. O governo federal lançou, na segunda-feira (4), o Programa Desenrola 2 para quem ganha até R$ 8,1 mil.


Manter as contas em dia é complicado, eu bem sei. Mas a disciplina financeira é fundamental para não ficar com a corda no pescoço. Eu ando sempre com uma caderneta na qual anoto tudo o que compro quando saio de casa – até mesmo uma simples bala.


Mesmo assim, já tive tempos difíceis quando fiquei desempregada ou trabalhava em uma empresa que atrasava muito ou não pagava o salário do mês. Minhas reservas para a velhice foram usadas para garantir que eu não fosse à bancarrota.

Sempre procuro viver dentro do meu orçamento. Pagar juros para banco, financeira ou loja é loucura em um país cuja taxa de juros real passa dos 9% ao ano – 2ª maior do planeta. A Selic caiu para 14,50% ao ano no mês de abril, mas ainda é extremamente elevada. Qualquer dívida, por menor que pareça, vira um Monte Everest se ficar como uma bola de neve.


Agora, como fazer para sair desse labirinto que é o endividamento quando já estamos com boletos atrasados, vivendo do rotativo do cartão de crédito ou no cheque especial? Negociar com bancos, financeiras e comércios nunca é tarefa fácil.


Para ajudar os endividados, vou listar na coluna as dicas do IDEC para você que quer renegociar as suas dívidas. Devo sim, mas quero ficar com o nome limpo novamente.


Bora lá para as dicas de negociação de dívidas com empréstimo pessoal, cartão de crédito e cheque especial:



✅ 1. LEVANTE O HISTÓRICO DA DÍVIDA

Guarde o máximo de documentos possíveis sobre a evolução da dívida - eles serão úteis no momento de negociar. Leia os contratos dos empréstimos para verificar as taxas de juros e custos embutidos na operação. Se a dívida está em atraso, peça ao banco a evolução do saldo, envolvendo detalhes sobre encargos e juros na atualização da dívida.


✅2. ANALISE SUA CAPACIDADE DE PAGAMENTO

Para negociar uma dívida, faça as contas dos seus gastos fixos mensais, como aluguel, mercado, conta de luz, e verifique se sua renda mensal é suficiente para cobrir essas despesas e ainda restar uma quantia para comprometer com a renegociação. A partir daí é possível planejar o orçamento e pensar numa proposta de acordo com o banco que caiba no seu bolso. Verifique também se você pode vender algo ou iniciar uma atividade extra para complementar sua renda.


3. APRESENTE UMA PROPOSTA REALISTA PARA O BANCO

Ao elaborar sua proposta de negociação, comece pelas dívidas mais caras. Se possível, priorize o pagamento à vista ou poucas parcelas, para evitar o aumento da dívida com mais juros. Se for necessário parcelar, insista pela revisão do saldo. Havendo dificuldade em abrir o diálogo com o banco para um acordo, você pode solicitar a renegociação por meio da plataforma Consumidor.gov.br. Isso deve fazer com que o banco dê uma atenção mais cuidadosa ao seu caso. Outras opções de apoio para a negociação são Procons com Núcleo de Tratamento do Superendividamento e a Defensoria Pública.


✅4. NEM SEMPRE UM ACORDO SERÁ POSSÍVEL

Não aceite a primeira proposta do banco: se você não está totalmente seguro de que tem condições para cumprir o acordo, não decida na hora. Caso você já tenha esgotado as possibilidades de fazer um acordo viável para a sua condição financeira atual, talvez seja necessário aguardar um tempo maior para tentar a negociação novamente. Cabe a você avaliar o risco de ter o nome negativado e viver “sem crédito” por um período. Mas esteja preparado: as instituições passarão a entrar em contato buscando pagamento. Essas cobranças não podem ser vexatórias e nem excessivas.


✅5. PRÁTICAS ILEGAIS? ACIONE A JUSTIÇA

Bancos não podem retirar recursos de outras contas vinculadas a você, como poupança ou contas empresariais, para forçar o pagamento de uma dívida. Também não podem fazer cobranças em tom de ameaça ou que exponha você a constrangimentos. Se acontecer, você tem o direito de requerer indenização por assédio moral. Nas causas de até 20 salários mínimos não é obrigatória a assistência de advogado no Juizado Especial Cível.



Para quem já se transformou em um superendividado, o Procon-SP tem o Programa de Apoio ao Superendividamento (PAS). De acordo com o órgão, os moradores da Grande São Paulo que, não possuem email ou não saibam usar a internet, podem agendar a entrevista para a inscrição no programa (Capital) no telefone (11) 3824-6959. A população de outras cidades do Estado, pode procurar os procons municipais.


As inscrições também podem ser feitas pela internet no https://consumidor2.procon.sp.gov.br/login


Antes de sair gastando, principalmente comprando no crediário, devendo para o banco ou jogar o que não tem de dinheiro nas bets, faça as contas e não extrapole a sua renda mensal. Dívida a gente leva até depois que morre. Mas esse é um assunto para a nossa próxima coluna.


Cuide do seu bolso!




Adriana Leite e Silva é jornalista, especializada em Economia e Mídias Digitais e gestora de Conteúdo do Notas Econômicas


Saiba mais sobre o colunista na página Sobre  



As opiniões aqui expostas refletem a visão do autor do artigo e, não necessariamente, do blog. Este é um espaço plural para debate amplo de ideias.


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